segunda-feira, 19 de maio de 2008

"Os Caras" e Milton Nascimento - Clube da Esquina N°1 (1997)

"Os Caras" e o manter.

Todo esse reino,
todas as conquistas,
todos os despojos,
todas as vitórias,
de nada valem neste momento.
Esqueci me do "manter",
alias, nunca soube sustentar o peso do meu reinado.
De que me valeu a ousadia de idos?
De que me valeu as batalhas vencidas?
Agora, parado aqui,
na borda desse abismo,
me calo.

"Os Caras" e Pablo Neruda


Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos (Pablo Neruda)

Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.
Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.
Fui teu, foste minha.
O que mais?
Juntos fizemos uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha.
Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora.
Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços.
Não sei para onde vou....
Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.

domingo, 18 de maio de 2008

"Os Caras" e uma decisão

Não vou aqui escrever em versos. Cansei-me um pouco desta forma e maneira. Serei cursivo e contínuo.
Minha companheira constante veio me visitar. Falo cá da Depressão. Desta vez não veio só, pois trouxe a Angústia e a Culpa. Pensei recorrer a psiquiátra de plantão e ao velho prozac, mas estou decidido a tentar sozinho. Sei que isso é deveras temerário, mas se não conseguir sempre tem o plantão me aguardando com um receituário breve de preenchimento.
Pensei em recorrer também ao velho Deus e sua velha Igreja mas também seguirei sem eles. Pelo menos na forma convencional. Acharia um tanto quanto hopócrita recorrer a algo que sei não estar no eixo da questão ou no eixo da razão. Deus tem sido algo muito louco em minha vida e quanto mais o estudo mais distante fico das religiões. De que me adiantaria agora me abrigar num lugar do qual fui excluido? Creio que de quase nada!
Sei que tenho que deixar muitas coisas e buscar um mesmo tanto. Sei que tudo agora demandará trabalho, suor, dedicação e apoio e sei também que esse último terei bem pouco. Posso contar comigo mesmo e com poucas pessoas. Não que elas não queiram me ajudar, apenas ficaram cansadas.
Tenho todo um ferramental guardado e que posso quase tudo. Então mais do que nunca está na hora de caminhar.
Tenho um regato a cruzar, uma mata a atravessar e quem sabe do outro lado esteja meu Eldorado.
Levo a luz e meu cajado.
Vou nessa!

"Os Caras" e Zélia Gattai


"Continuo achando graça nas coisas,
gostando cada vez mais das pessoas,
curiosa sobre tudo,
imune ao vinagre,
às amarguras,
aos rancores".

sábado, 17 de maio de 2008

"Os Caras" e Maria Luiza Lemos de Bonis


Meu Mundo e Nada Mais
Guilherme Arantes

Quando eu fui ferido
Vi tudo mudar
Das verdades
Que eu sabia...
Só sobraram restos
Que eu não esqueci
Toda aquela paz
Que eu tinha...
Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo
Estou mudado
À meia-noite, à meia luz
Pensando!
Daria tudo, por um modo
De esquecer...
Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz
Sonhando!
Daria tudo, por meu mundo
E nada mais...
Não estou bem certo
Que ainda vou sorrir
Sem um travo de amargura...
Como ser mais livre
Como ser capaz
De enxergar um novo dia...
Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo
Estou mudado
À meia-noite, à meia luz
Pensando!
Daria tudo, por um modo
De esquecer...
Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz
Sonhando!
Daria tudo, por meu mundo
E nada mais...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

"Os Caras" e os Borges

Um Girassol da Cor de Seu Cabelo
Márcio Borges e Lô Borges


Vento solar, estrelas do mar
A terra azul da cor do seu vestido
Vento solar, estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
Sol, girassol, vejo o vento solar
Você ainda quer morar comigo
Vento solar estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que ainda é tarde demais?
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
Você vem?
Será que é tarde demais?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

"Os Caras" e Luciene Candida Santos

Longe Aqui
Composição: Jay Vaquer

Os pais de sua namorada exigiram o fim daquela relação
que já durava cinco meses de muito carinho e reprovação
Sempre que se chateava cortava os braços com gilete pra chamar à atenção
Tinha carência afetiva, achava que seus pais gostavam mais do irmão . . .
Um dia olhou pela janela, imaginou como seria o seu vôo até o chão
Mas quando pensou na sujeira que ela causaria..desistiu, foi ver televisão
Tinha que engravidar, criar, envelhercer, morrer... como todos esperavam
Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer... como todos desejavam
Até que ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
Ela partiu...Ela partiu ao meio
Ensaiou o que diria se um dia fosse "artista
homenageada no Faustão
"Enxugaria as lágrimas, abraçaria amigos
e a mãe teria o seu perdão"
Voltando a realidade,
ela encontrava um quadro que não tinha muita solução
Se achava velha, muito nova, gorda ou muito feia
Sempre inadeqüada pra situação...
Tinha que engravidar, criar, envelhercer, morrer...
como todos esperavam
Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer...
como todos desejavam
Até que ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
Ela partiu ....
Ela partiu ao meio

"Os Caras" e Sonia Flores Carvalho


Lembra De Mim
Composição: Vitor Martins / Ivan Lins

Lembra de mim!
Dos beijos que escrevi
Nos muros a giz
Os mais bonitos
Continuam por lá
Documentando
Que alguém foi feliz...
Lembra de mim!
Nós dois nas ruas
Provocando os casais
Amando mais
Do que o amor é capaz
Perto daqui
Há tempos atrás...
Lembra de mim!
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar...
Lembra de mim!
Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais...
Lembra de mim!...

"Os Caras" e João Bosco e Aldir Blanc

O Cavaleiro e os Moinhos
Composição: João Bosco & Aldir Blanc


Acreditar
Ná existência dourada do sol
mesmo que em plena boca
nos bata o açoite contínuo da noite.
Arrebentar
a corrente que envolve o amanhã,
despertar as espadas,
varrer as esfinges das encruzilhadas.
Todo esse tempo
foi igual a dormir num navio:
sem fazer movimento,
mas tecendo o fio da água e do vento.
Eu, baderneiro,
me tornei cavaleiro,
malandramente,
pelos caminhos.
Meu companheiro
tá armado até os dentes:
já não há mais moinhos
como os de antigamente.