sexta-feira, 16 de maio de 2008

"Os Caras" e os Borges

Um Girassol da Cor de Seu Cabelo
Márcio Borges e Lô Borges


Vento solar, estrelas do mar
A terra azul da cor do seu vestido
Vento solar, estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
Sol, girassol, vejo o vento solar
Você ainda quer morar comigo
Vento solar estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que ainda é tarde demais?
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
Você vem?
Será que é tarde demais?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

"Os Caras" e Luciene Candida Santos

Longe Aqui
Composição: Jay Vaquer

Os pais de sua namorada exigiram o fim daquela relação
que já durava cinco meses de muito carinho e reprovação
Sempre que se chateava cortava os braços com gilete pra chamar à atenção
Tinha carência afetiva, achava que seus pais gostavam mais do irmão . . .
Um dia olhou pela janela, imaginou como seria o seu vôo até o chão
Mas quando pensou na sujeira que ela causaria..desistiu, foi ver televisão
Tinha que engravidar, criar, envelhercer, morrer... como todos esperavam
Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer... como todos desejavam
Até que ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
Ela partiu...Ela partiu ao meio
Ensaiou o que diria se um dia fosse "artista
homenageada no Faustão
"Enxugaria as lágrimas, abraçaria amigos
e a mãe teria o seu perdão"
Voltando a realidade,
ela encontrava um quadro que não tinha muita solução
Se achava velha, muito nova, gorda ou muito feia
Sempre inadeqüada pra situação...
Tinha que engravidar, criar, envelhercer, morrer...
como todos esperavam
Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer...
como todos desejavam
Até que ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
Ela partiu ....
Ela partiu ao meio

"Os Caras" e Sonia Flores Carvalho


Lembra De Mim
Composição: Vitor Martins / Ivan Lins

Lembra de mim!
Dos beijos que escrevi
Nos muros a giz
Os mais bonitos
Continuam por lá
Documentando
Que alguém foi feliz...
Lembra de mim!
Nós dois nas ruas
Provocando os casais
Amando mais
Do que o amor é capaz
Perto daqui
Há tempos atrás...
Lembra de mim!
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar...
Lembra de mim!
Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais...
Lembra de mim!...

"Os Caras" e João Bosco e Aldir Blanc

O Cavaleiro e os Moinhos
Composição: João Bosco & Aldir Blanc


Acreditar
Ná existência dourada do sol
mesmo que em plena boca
nos bata o açoite contínuo da noite.
Arrebentar
a corrente que envolve o amanhã,
despertar as espadas,
varrer as esfinges das encruzilhadas.
Todo esse tempo
foi igual a dormir num navio:
sem fazer movimento,
mas tecendo o fio da água e do vento.
Eu, baderneiro,
me tornei cavaleiro,
malandramente,
pelos caminhos.
Meu companheiro
tá armado até os dentes:
já não há mais moinhos
como os de antigamente.

"Os Caras" e Raimundo Fagner

Eu Canto
Composição: Fagner & Cecília Meirelles

Eu canto
Porque o instante existe
E a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste
Sou poeta
Irmão das coisas fugidias
Não sinto gozo nem tormento
Atravesso noites e dias
No vento
Se desmorono ou se edifico
Se permaneço ou me desfaço
Não sei se fico
Ou passo
Eu sei que canto e a canção é tudo
Tem sangue eterno a asa ritimada
E um dia eu sei que estarei mudo
Mais nada

"Os Caras" e Milton Nascimento


Travessia
Milton Nascimento / Fernando Brant

Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar
Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver
Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar

"Os Caras" e Beto Guedes


Nascente (Beto Guedes)

Clareia manhã

O sol vai esconder a clara estrela

Ardente, pérola do céu refletindo teus olhos

A luz do dia a contemplar seu corpo

Sedento, louco de prazer e desejos

Ardentes

quarta-feira, 14 de maio de 2008

"Os Caras" e Belchior

Caso Comum de Trânsito
Belchior

Faz tempo que ninguém canta uma canção falando fácil...
claro-fácil, claramente...
das coisas que acontecem todo dia, em nosso tempo e lugar.
Você fica perdendo o sono,
pretendendo ser o dono das palavras,
ser a voz do que é novo;
e a vida, sempre nova, acontecendo de surpresa,
caindo como pedra o povo.
À tarde, quando eu volto do trabalho,
mestre Joaquim pergunta assim pra mim:
- Como vão as coisas ?
Como vão as coisas ?
Como vão as coisas, menino ?
E eu respondo assim:
- Minha namorada voltou para o norte,
ficou quase louca e arranjou um emprego muito bom.
Meu melhor amigo foi atropelado, voltando para casa...
Caso comum de trânsito,
caso comum de trânsito,
caso comum de trânsito.
Pela geografia, aprendi que há, no mundo,
um lugar, onde um jovem como eu pode amar e ser feliz.
Procurei passagem: avião, navio...
Não havia linha praquele país.
- E aquele poeta, moreno e latino,
que, em versos de sangue, a vida e o amor escreveu...
Onde é que ele anda?
- Ninguém sabe dele...
- Fez uma viagem ?
- Não, desapareceu.
Deita ao meu lado.
Dá-me o teu beijo.
Toda a noite o meu corpo será teu.
Eles vêm buscar-me na manhã aberta:
a prova mais certa que não amanheceu.
Não amanheceu, menina.
Não amanheceu, ainda

"Os Caras" e Caetano Veloso


Terra

Caetano Veloso

Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens...
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...
Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Mando um abraço prá ti
Pequenina como se eu fosse
O saudoso poeta
E fosses a Paraíba...
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...
Eu estou apaixonado
Por uma menina terra
Signo de elemneto terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza
Terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia...
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...
Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas...
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...
De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne...
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?...
Na sacada dos sobrados
Das cenas do Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito...
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra!

"Os Caras" e Mario Quintana


Bilhete (Mario Quintana)
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho,
Amada,
que a vida é breve,
e o amor mais breve ainda...