sexta-feira, 1 de agosto de 2008

"Os Caras" e Nietzsche VI


"ETERNO RETORNO"

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"

"Os Caras" e Nietzsche V


"A GAIA CIÊNCIA"

"O homem louco se lançou para o meio deles e trespassou-os com seu olhar: "Para onde foi Deus?", gritou ele, "já lhes direi! Nós matámo-lo — vocês e eu. Somos todos seus assassinos! Mas como fizemos isso? Como conseguimos beber inteiramente o mar? Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte? Que fizemos nós, ao desatar a terra do seu sol? Para onde se move ela agora? Para onde nos movemos nós? Para longe de todos os sóis? Não caímos continuamente? Para trás para os lados, para a frente, em todas as direções? Existe ainda 'em cima' e 'embaixo'? Não vagamos como que através de um nada infinito? Não sentimos anoitecer eternamente? Não temos de acender lanternas de manhã? Não ouvimos o barulho dos coveiros a enterrar Deus? Não sentimos o cheiro da putrefação divina? — também os deuses apodrecem! Deus está morto! Deus continua morto! E nós matámo-los! Como nos consolar, nós assassinos entre os assassinos? O mais forte e mais sagrado que o mundo até então possuía sangrou inteiro sob os nossos punhais — quem nos limpará este sangue? Com que água poderíamos nos lavar? A grandeza desse acto não é demasiado grande para nós? Não deveríamos nós mesmos nos tornar deuses, para ao menos parecer dignos dele? Nunca houve um acto maior — e quem vier depois de nós pertencerá, por causa desse acto, a uma história mais elevada que toda a história até então!"

"Os Caras" e Nietzsche IV


"POR QUE EU SOU TÃO INTELIGENTE?" (ECCE HOMO)

Por que eu sei algo mais? Por que, acima de tudo, eu sou tão inteligente? Jamais me pus a pensar a respeito de perguntas que não são perguntas - eu não me esbanjei… Dificuldades religiosas de verdade, por exemplo, eu jamais as conheci por minha própria experiência. Sequer me dei conta até que ponto eu deveria me sentir “pecaminoso”. Do mesmo modo me falta um critério confiável para saber o que é um sentimento de culpa: segundo aquilo que se ouve a respeito, um sentimento de culpa não me parece nada digno de atenção…

"Os Caras" e Nietzsche III


"O ANTI CRISTO"

"Para suportar a minha seriedade e a minha paixão é preciso ser íntegro nas coisas de espírito até as últimas conseqüências; estar acostumado a viver nas montanhas, a ver abaixo de si o mesquinho Charlatanismo actual da política e do egoísmo dos povos; e, finalmente, ter-se tornado indiferente e jamais perguntar se a verdade é útil, se chegará a ser uma fatalidade... Necessária é também uma inclinação para enfrentar questões que hoje ninguém se atreve a elucidar; inclinação para o proibido; predestinação para o labirinto".

"Os Caras" e Nietzsche II


"ALÉM DO BEM E DO MAL"

"Independência é algo para bem poucos: - é prerrogativa dos fortes. E quem procura ser independente sem ter a obrigação disso, ainda que com todo o direito demostra que provavelmente é não apenas forte, mas temerário além de qualquer medida. Ele penetra num labirinto, multiplica mil vezes os perigos que o viver já traz consigo; dos quais um dos maiores é que ninguém pode ver como e onde se extravia, se isola e é despedaçado por algum Minotauro da consciência. Supondo que alguém assim desapareça, isto ocorre tão longe do entendimento dos homens que eles não sentem nem compadecem: - e ele não pode voltar! já não pode retornar sequer para a compaixão dos homens!"

"Os Caras" e Nietzsche I


HUMANO, DEMASIADAMENTE HUMANO

"A gente sóbria e industriosa, em que a religião está bordada como um laurel da humanidade superior: essa gente faz muito bem em continuar religiosa, isso a embeleza. Todos os homens que não entendem o ofício das armas – incluindo entre as armas a boca e a caneta – tornam-se servis: para esses. A religião cristã é muito útil, pois o servilismo toma então o aspecto de uma virtude cristã e fica estonteantemente embelezado. Pessoas, para quem sua vida cotidiana parece demasiado vazia e monótona, tornam-se facilmente religiosas: isto é compreensível e perdoável".

quinta-feira, 31 de julho de 2008

"Os Caras" e a caçada


ZARATUSTRA

Assim falei aos quatro ventos. No tempo em que meus pés descalços atravessaram o rio da razão:
- É tempo de caçada!
A serpente ficou na caverna levo a águia e meu alforje. Meus bastão está na outra margem e quando voltar estarei mais forte e ele se moldará em minhas mãos.
São tempos de trazer à luz os enigmas que os incautos se recusam decifrar. São tempos de dor e ranger de dentes para os fracos e despreparados.
D'outro lado não existe Creonte, nem Cerbero, nem mito algum.
- É tempo de caçar e somente eu poderei correr as armadilhas.

terça-feira, 29 de julho de 2008

"Os Caras" e a mesma estrada.


"...Eu já estou com o Pé nessa estrada..."

Na realidade faz 13 anos que estou nessa estrada, mas hoje tem um significado diferente. Hoje estarei discurtinando um novo horizonte, com mais possibilidades e com mais perspectivas. O prisma de luz se fará presente e zilhões de arcos-íris se apresentarão atrás de cada montanha, após cada curva.
É nessa estrada que o super-homem aparecerá.
Nela a Vontade de Poder se instalará.
O alvo continua sendo o mesmo, apenas a caminhada agora tem outro sabor, outro perfume.
Para trás ficou o que tinha que ficar.
À frente e avante!

sexta-feira, 25 de julho de 2008

"Os Caras" e a Queda dos Anjos


A Queda dos Anjos - Bruegel

quarta-feira, 23 de julho de 2008

"Os Caras" e Gonzaguinha - Nunca pare de sonhar

"Os Caras" me disseram que Gonzaguinha partiu antes do combinado.